Há um ano, o João Espinho perguntou-me - 3 vezes! - se "isto morreu".
Pois, parece que não, parece que "isto", apesar de já ter conhecido melhor saúde, ainda não bateu as botas.
Manter um "coiso" destes é fácil e barato. Arranjar meia-dúzia de palavras para partilhar não é nada do outro mundo.
E então?
Não me apetece, pá.
Não me apetece.
Talvez amanhã. Ou depois...
Quarta-feira, Março 31, 2010
Segunda-feira, Janeiro 05, 2009
Sob Escuta - Dezembro de 2008
The Beatles - s/t, mais conhecido por "White Album", Apple, 1968Recentemente comemoraram-se 40 anos sobre a edição do álbum branco.
Trata-se de uma colagem de trabalhos a solo gravados por cada um dos três elementos compositores, integrados depois numa sonoridade "beatlesca".
Marcou o momento da desagregação do grupo. Aqui, mais de que uma banda, encontramos as diversas personalidades musicais: a construção pop definida por McCartney, a viagem interior de Lennon e o injustamente tardio reconhecimento de Harrison como compositor à altura.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
SOB ESCUTA - DEZEMBRO DE 2008
David Gilmour, "On An Island", EMI, 2006O mais perto que se pode chegar, nos dias de hoje, a um álbum dos Pink Floyd.
Um disco muito tranquilo e "outonal", bem produzido, executado com profissionalismo e excelência, não entusiasma muito mas é agradável de ouvir.
O A e o Z
Nas últimas eleições presidenciais, Manuel Alegre obteve uma votação total que rondou o milhão de votos.
O conhecido poeta-caçador, histórico deputado do PS e autor de alguns dos mais brilhantes discursos políticos que a Democracia portuguesa já conheceu (não só no conteúdo, mas essencialmente na irrepreensível forma), partiu nesta sua saga de afirmação pessoal com uma derrota nas “directas” do PS em 2004 (foi batido por José Sócrates), o que não o impediu de, salvo erro em Janeiro de 2005, se juntar ao então recém-eleito líder socialista numa acção de campanha eleitoral aqui em Beja, discursando inflamadamente a favor das virtudes daquele que viria pouco depois a ser eleito primeiro-ministro.
Eleito deputado em virtude dessas eleições, há-de ter decidido que o namoro não teria grande futuro: menos de um ano depois candidatou-se ao cargo de Presidente da República, não obstante o PS ter um concorrente oficial.
Previsivelmente, Cavaco Silva “limpou” a eleição quase sem mexer uma palha, mas Alegre meteu no bolso um milhão de votos que lhe têm rendido bons dividendos políticos.
Criou o inconsequente (até ontem...) MIC – Movimento de Intervenção e Cidadania, que nunca ninguém (talvez até ontem...) soube explicar muito bem do que se trata, e tem feito a vida negra ao seu mais ou menos camarada José Sócrates.
Desde as faltas a votações parlamentares fundamentais (se não estou em erro no Orçamento do Estado para 2008), à votação contra o novo Código do Trabalho, Alegre tem feito as delícias da extrema-esquerda – mais do Bloco, porque nisto de misturas o PCP é muito cuidadoso –, e a vida negra aos seus camaradas do PS.
Apesar de tudo isto, o poeta continua a ocupar o seu lugar de Deputado na Assembleia da República, eleito nas listas do PS, e a manter o seu cartão de militante, ainda que, ao que parece, já nada tenha a ver com este Partido para além de uma egocêntrica atitude de posse.
Ontem, no Fórum das Esquerdas, o abissal ego de Manuel Alegre esteve perto de explodir: ele foi a estrela, foi o homem do dia, foi o protagonista, foi o centro, o princípio e o fim, o A e o Z, o Grande Líder da Esquerda!
Ao tocar nos pontos mais sensíveis das políticas actuais do Governo, como a avaliação dos professores, alimentou a contestação e levou mais longe a sua tarefa de minar o PS por dentro.
Em mais um brilhante discurso, impecável na forma e na dicção, mas previsível e gasto no conteúdo, Alegre afirma que as teses em discussão no certame serão escrutinadas através do voto popular. Ora esse escrutínio não se poderá fazer fora dos partidos.
Com o PCP de fora, orgulhosamente só como sempre, só resta o Bloco de Esquerda. E é aqui que o MIC poderá começar a fazer algum sentido: mais do que o simples depósito onde ficaram congelados todos aqueles votos nas presidenciais, este movimento poderá engrossar a lista que deu origem ao BE. Só não se entende que Alegre seja entronado líder da esquerda utópica e continue militante do PS, partido ultra-pragmático, sem ideologia que se veja.
Muito se tem dito e escrito sobre a coragem de Manuel Alegre, a sua independência e a sua frontalidade, que até há pouco tempo não me atrevia a negar; mas eu gostaria mais de realçar o seu egocentrismo, a sua vaidade sem limites e a sua indignidade ao continuar a servir-se de um partido em vez de o servir, ao autopromover-se de forma meramente egoísta para gáudio de si próprio e da extrema-esquerda com a qual nunca teve nada a ver e que, inocente e ingénua, se deixa levar por meia-dúzia de votos “sacados” ao PS.
______
Uma última palavra para o delírio com que o Professor Marcelo “analisou” ontem à noite a questão: só uma mente muito cansada, quiçá pelas parcas horas de sono nocturno, concluirá que este desvio de votos do PS para a esquerda poderá beneficiar o PSD. O PS perde para a extrema-esquerda e ganha votos ao PSD. O PSD continuará, salvo alguma situação imponderável, a perder em toda a linha. E só numa perspectiva de refinado humor político se poderá enquadrar um crescimento do PSD com um desvio de votos para o BE.
Desculpem o simplismo, mas perante as palavras do Professor Marcelo...
O conhecido poeta-caçador, histórico deputado do PS e autor de alguns dos mais brilhantes discursos políticos que a Democracia portuguesa já conheceu (não só no conteúdo, mas essencialmente na irrepreensível forma), partiu nesta sua saga de afirmação pessoal com uma derrota nas “directas” do PS em 2004 (foi batido por José Sócrates), o que não o impediu de, salvo erro em Janeiro de 2005, se juntar ao então recém-eleito líder socialista numa acção de campanha eleitoral aqui em Beja, discursando inflamadamente a favor das virtudes daquele que viria pouco depois a ser eleito primeiro-ministro.
Eleito deputado em virtude dessas eleições, há-de ter decidido que o namoro não teria grande futuro: menos de um ano depois candidatou-se ao cargo de Presidente da República, não obstante o PS ter um concorrente oficial.
Previsivelmente, Cavaco Silva “limpou” a eleição quase sem mexer uma palha, mas Alegre meteu no bolso um milhão de votos que lhe têm rendido bons dividendos políticos.
Criou o inconsequente (até ontem...) MIC – Movimento de Intervenção e Cidadania, que nunca ninguém (talvez até ontem...) soube explicar muito bem do que se trata, e tem feito a vida negra ao seu mais ou menos camarada José Sócrates.
Desde as faltas a votações parlamentares fundamentais (se não estou em erro no Orçamento do Estado para 2008), à votação contra o novo Código do Trabalho, Alegre tem feito as delícias da extrema-esquerda – mais do Bloco, porque nisto de misturas o PCP é muito cuidadoso –, e a vida negra aos seus camaradas do PS.
Apesar de tudo isto, o poeta continua a ocupar o seu lugar de Deputado na Assembleia da República, eleito nas listas do PS, e a manter o seu cartão de militante, ainda que, ao que parece, já nada tenha a ver com este Partido para além de uma egocêntrica atitude de posse.
Ontem, no Fórum das Esquerdas, o abissal ego de Manuel Alegre esteve perto de explodir: ele foi a estrela, foi o homem do dia, foi o protagonista, foi o centro, o princípio e o fim, o A e o Z, o Grande Líder da Esquerda!
Ao tocar nos pontos mais sensíveis das políticas actuais do Governo, como a avaliação dos professores, alimentou a contestação e levou mais longe a sua tarefa de minar o PS por dentro.
Em mais um brilhante discurso, impecável na forma e na dicção, mas previsível e gasto no conteúdo, Alegre afirma que as teses em discussão no certame serão escrutinadas através do voto popular. Ora esse escrutínio não se poderá fazer fora dos partidos.
Com o PCP de fora, orgulhosamente só como sempre, só resta o Bloco de Esquerda. E é aqui que o MIC poderá começar a fazer algum sentido: mais do que o simples depósito onde ficaram congelados todos aqueles votos nas presidenciais, este movimento poderá engrossar a lista que deu origem ao BE. Só não se entende que Alegre seja entronado líder da esquerda utópica e continue militante do PS, partido ultra-pragmático, sem ideologia que se veja.
Muito se tem dito e escrito sobre a coragem de Manuel Alegre, a sua independência e a sua frontalidade, que até há pouco tempo não me atrevia a negar; mas eu gostaria mais de realçar o seu egocentrismo, a sua vaidade sem limites e a sua indignidade ao continuar a servir-se de um partido em vez de o servir, ao autopromover-se de forma meramente egoísta para gáudio de si próprio e da extrema-esquerda com a qual nunca teve nada a ver e que, inocente e ingénua, se deixa levar por meia-dúzia de votos “sacados” ao PS.
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Uma última palavra para o delírio com que o Professor Marcelo “analisou” ontem à noite a questão: só uma mente muito cansada, quiçá pelas parcas horas de sono nocturno, concluirá que este desvio de votos do PS para a esquerda poderá beneficiar o PSD. O PS perde para a extrema-esquerda e ganha votos ao PSD. O PSD continuará, salvo alguma situação imponderável, a perder em toda a linha. E só numa perspectiva de refinado humor político se poderá enquadrar um crescimento do PSD com um desvio de votos para o BE.
Desculpem o simplismo, mas perante as palavras do Professor Marcelo...
Terça-feira, Novembro 25, 2008
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
Ninguém erra assim
IMAGEM: photo.netPosso estar enganado, mas Manuela Ferreira Leite quer largar a liderança do PSD o quanto antes e só não sabe como.
Empurrada por um grupo de notáveis que via em Luís Filipe Menezes um populista desgovernado e desbocado, um cacique regional longe da intelectualidade bem pensante do baronato aristocrata, Ferreira Leite foi rapidamente apontada como a única militante capaz de restaurar a imagem do Partido. A expressão credibilidade foi usada ad nauseam, até a expressão, ela própria, perder a... credibilidade.
Séria, reservada, austera e pouquíssimo sociável, a Dra. Manuela fazia, há coisa de seis meses, o contraponto ideal relativamente à verborreia ora consequente ora nonsense do Dr. Menezes, um nortenho emotivo e pronto para opinar onde e quando fosse preciso. Tão cara ao português comum, aquela imagem de seriedade e competência da Dra. Ferreira Leite, decorrente da antipatia...
Eleita com uma vantagem marginal e nada confortável, o que fez a Dra. Manuela assim que tomou posse? Nada. Silêncio total e discrição absoluta.
Se a cavaquista estratégia do silêncio foi tão eficaz noutros combates, por que motivo haveria de falhar agora, altura em que o Eng.º Sócrates tinha a popularidade tão em baixo? Era só esperar que o primeiro-ministro se fosse desgastando progressivamente e atacar, com estratégia e precisão, no timing certo. Colher dividendos até parecia fácil, bastava paciência, atributo que parecia não faltar a Ferreira Leite. Não foi o seu grande mentor Cavaco a afirmar um dia que as eleições não se ganham, sendo antes os adversários a perdê-las?
Mas a Dra. Manuela começou a falar, quando a sua entourage assim o entendeu, e os resultados não se fizeram esperar.
“Não há dinheiro para nada”, o discurso da “tanga” versão 2.0, as obras públicas teriam de esperar, só não se sabia quais, talvez algumas. Depois, afinal, já eram todas, ou assim...
Com o Prof. Cavaco as coisas até não estavam a correr nada mal. A Dra. Manuela antecipava-se às preocupações presidenciais e até era possível que a tal “cooperação estratégica” com o Governo fosse por água baixo. Até certo ponto, a coisa funcionou.
Mas o problema surgiu, como já referi, quando a Dra. Manuela decidiu começar a falar.
Não deve haver, na história da política portuguesa, uma tão rápida colecção antológica do disparate político como a que esta senhora conseguiu reunir em meia-dúzia de meses.
Casamento entre pessoas do mesmo sexo? Credo!!! O casamento visa exclusivamente a procriação! Família tradicional forever. Cá nada com casamentos entre mariconços aberrantes. Casais inférteis, preparai-vos, porque sois a seguir na lista negra da Dra. Ferreira Leite.
Aumento do Salário Mínimo? Que coisa medonha, coitaditos dos PME’s, onde irão eles arranjar meia dúzia de euros para aumentar os salários miseráveis dos empregados?
O Orçamento do Estado para 2009? É o mesmo que empanturrar anões: por mais que a gente lhes enfie comida pela goela dentro, os malandrecos não crescem!
Obras públicas? Só se não for a crédito, tudo pago a pronto como no tempo do Dr. Salazar. E como “não há dinheiro para nada”, estas obras só vão diminuir o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia, as terras desses malandros d’um raio que vêm cá roubar os empregos aos verdadeiros portugueses.
Quanto à Comunicação Social, bom mesmo é a gente seleccionar as notícias, não vão eles lembrar-se de veicular coisas desagradáveis. Na Madeira tem funcionado bem, por que não funcionaria aqui?
Os Srs. Polícias? Andam mas é a fazer figuras de “palhaços”, pois prendem os criminosos e têm de os soltar logo a seguir.
Propostas para o país? Se as há, é para ficarem bem escondidas. Eu não empresto os meus brinquedos a ninguém, não vão os outros meninos querer roubá-los!
Mas a pièce de résistance foi já nesta semana.
A Dra. Manuela afirma que não acredita ser possível fazer reformas em Democracia, porque isso significa afrontar corporações, o que inviabiliza, no futuro, qualquer programa de governo de Ferreira Leite nesse sentido, o das reformas.
Mas não desesperemos, porque a brilhante pensadora política avança desde logo com uma solução imbatível: suspenda-se a Democracia por seis meses, faça-se as reformas que forem necessárias, e depois termine-se a intermitência semestral, até ver.
Costuma dizer-se que a asneira é livre, e estas minhas palavras podem, para alguns, ser a prova disso mesmo. Mas não deixa de ser interessante constatar que as afirmações de Ferreira Leite seguem um certo padrão. Em vez de optar pela abrangência, acaba por enquadrar aquelas afirmações na categoria de um ostensivo reaccionarismo, ou, se não gostarem da palavra, são afirmações de carácter bafiento.
Regressando ao primeiro parágrafo deste texto, parece-me que, por mais inaptidão que alguém mostre em relação à política – e a Dra. Manuela tem sido o rosto da inaptidão política –, ninguém erra assim tão grosseiramente. A Dra. Manuela é inteligente e perspicaz, pelo que só posso concluir que erra propositadamente, de forma deliberada e consciente.
A ainda Presidente do PSD erra porque não tem coragem para desistir. Erra para que alguém acabe com a agonia e com o sacrifício e que venha salvá-la marcando um Congresso Extraordinário, terminando assim com o erro de casting que foi a sua entronização.
Já não é de “credibilidade” que se trata; é de “caridade” que a Dra. Manuela necessita agora. Deixem-na sair enquanto lhe resta um pingo de dignidade.
Empurrada por um grupo de notáveis que via em Luís Filipe Menezes um populista desgovernado e desbocado, um cacique regional longe da intelectualidade bem pensante do baronato aristocrata, Ferreira Leite foi rapidamente apontada como a única militante capaz de restaurar a imagem do Partido. A expressão credibilidade foi usada ad nauseam, até a expressão, ela própria, perder a... credibilidade.
Séria, reservada, austera e pouquíssimo sociável, a Dra. Manuela fazia, há coisa de seis meses, o contraponto ideal relativamente à verborreia ora consequente ora nonsense do Dr. Menezes, um nortenho emotivo e pronto para opinar onde e quando fosse preciso. Tão cara ao português comum, aquela imagem de seriedade e competência da Dra. Ferreira Leite, decorrente da antipatia...
Eleita com uma vantagem marginal e nada confortável, o que fez a Dra. Manuela assim que tomou posse? Nada. Silêncio total e discrição absoluta.
Se a cavaquista estratégia do silêncio foi tão eficaz noutros combates, por que motivo haveria de falhar agora, altura em que o Eng.º Sócrates tinha a popularidade tão em baixo? Era só esperar que o primeiro-ministro se fosse desgastando progressivamente e atacar, com estratégia e precisão, no timing certo. Colher dividendos até parecia fácil, bastava paciência, atributo que parecia não faltar a Ferreira Leite. Não foi o seu grande mentor Cavaco a afirmar um dia que as eleições não se ganham, sendo antes os adversários a perdê-las?
Mas a Dra. Manuela começou a falar, quando a sua entourage assim o entendeu, e os resultados não se fizeram esperar.
“Não há dinheiro para nada”, o discurso da “tanga” versão 2.0, as obras públicas teriam de esperar, só não se sabia quais, talvez algumas. Depois, afinal, já eram todas, ou assim...
Com o Prof. Cavaco as coisas até não estavam a correr nada mal. A Dra. Manuela antecipava-se às preocupações presidenciais e até era possível que a tal “cooperação estratégica” com o Governo fosse por água baixo. Até certo ponto, a coisa funcionou.
Mas o problema surgiu, como já referi, quando a Dra. Manuela decidiu começar a falar.
Não deve haver, na história da política portuguesa, uma tão rápida colecção antológica do disparate político como a que esta senhora conseguiu reunir em meia-dúzia de meses.
Casamento entre pessoas do mesmo sexo? Credo!!! O casamento visa exclusivamente a procriação! Família tradicional forever. Cá nada com casamentos entre mariconços aberrantes. Casais inférteis, preparai-vos, porque sois a seguir na lista negra da Dra. Ferreira Leite.
Aumento do Salário Mínimo? Que coisa medonha, coitaditos dos PME’s, onde irão eles arranjar meia dúzia de euros para aumentar os salários miseráveis dos empregados?
O Orçamento do Estado para 2009? É o mesmo que empanturrar anões: por mais que a gente lhes enfie comida pela goela dentro, os malandrecos não crescem!
Obras públicas? Só se não for a crédito, tudo pago a pronto como no tempo do Dr. Salazar. E como “não há dinheiro para nada”, estas obras só vão diminuir o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia, as terras desses malandros d’um raio que vêm cá roubar os empregos aos verdadeiros portugueses.
Quanto à Comunicação Social, bom mesmo é a gente seleccionar as notícias, não vão eles lembrar-se de veicular coisas desagradáveis. Na Madeira tem funcionado bem, por que não funcionaria aqui?
Os Srs. Polícias? Andam mas é a fazer figuras de “palhaços”, pois prendem os criminosos e têm de os soltar logo a seguir.
Propostas para o país? Se as há, é para ficarem bem escondidas. Eu não empresto os meus brinquedos a ninguém, não vão os outros meninos querer roubá-los!
Mas a pièce de résistance foi já nesta semana.
A Dra. Manuela afirma que não acredita ser possível fazer reformas em Democracia, porque isso significa afrontar corporações, o que inviabiliza, no futuro, qualquer programa de governo de Ferreira Leite nesse sentido, o das reformas.
Mas não desesperemos, porque a brilhante pensadora política avança desde logo com uma solução imbatível: suspenda-se a Democracia por seis meses, faça-se as reformas que forem necessárias, e depois termine-se a intermitência semestral, até ver.
Costuma dizer-se que a asneira é livre, e estas minhas palavras podem, para alguns, ser a prova disso mesmo. Mas não deixa de ser interessante constatar que as afirmações de Ferreira Leite seguem um certo padrão. Em vez de optar pela abrangência, acaba por enquadrar aquelas afirmações na categoria de um ostensivo reaccionarismo, ou, se não gostarem da palavra, são afirmações de carácter bafiento.
Regressando ao primeiro parágrafo deste texto, parece-me que, por mais inaptidão que alguém mostre em relação à política – e a Dra. Manuela tem sido o rosto da inaptidão política –, ninguém erra assim tão grosseiramente. A Dra. Manuela é inteligente e perspicaz, pelo que só posso concluir que erra propositadamente, de forma deliberada e consciente.
A ainda Presidente do PSD erra porque não tem coragem para desistir. Erra para que alguém acabe com a agonia e com o sacrifício e que venha salvá-la marcando um Congresso Extraordinário, terminando assim com o erro de casting que foi a sua entronização.
Já não é de “credibilidade” que se trata; é de “caridade” que a Dra. Manuela necessita agora. Deixem-na sair enquanto lhe resta um pingo de dignidade.
Sexta-feira, Novembro 07, 2008
Sob Escuta - Outubro de 2008 (3)

FÜHRS & FRÖHLING´, "AMMERLAND", Nordsee, 1978
Nem excelente, nem péssimo. Simplesmente muito agradável de ouvir. Relaxante, o resultado dos sintetizadores com a guitarra acústica.
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Por onde andarão estes rapazes?
Fecharam as portas por falência ideológica?A "conspirar" contra o Estado para depois apresentarem uma das suas soluções luso-liberais infalíveis para salvar a economia portuguesa?
Muito caladinhos e quietinhos à espera que a tempestade passe, enquanto aproveitam as benesses conferidas ao sector privado por todos nós, o Estado?
Mistérios...
Sexta-feira, Outubro 24, 2008
Sob Escuta - Outubro de 2008 (2)

Dennis Wilson, "Pacific Ocean Blue", Epic, 1977 (reedição de 2008)
O menos conhecido e mais subestimado dos Beach Boys, o baterista Dennis Wilson, viveu sempre à sombra do seu irmão Brian e atormentado pelos seus demónios interiores.
Este disco, o único que lançou, revela o génio escondido que nunca foi valorizado em tempo útil, ou seja, em vida. Dennis Wilson, o único surfista dos Beach Boys, morreu em 1983 vítima de afogamento após uma das suas monumentais bebedeiras.
A primeira faixa, River Song, é soul como nenhum branco conseguiu antes ou depois. A instrumentação, a voz angustiada e rugosa, os coros em crescendo, enfim, de arrepiar. Como todo o álbum, aliás. Uma pérola magnífica de tristeza e sublime beleza estética.
Este disco, o único que lançou, revela o génio escondido que nunca foi valorizado em tempo útil, ou seja, em vida. Dennis Wilson, o único surfista dos Beach Boys, morreu em 1983 vítima de afogamento após uma das suas monumentais bebedeiras.
A primeira faixa, River Song, é soul como nenhum branco conseguiu antes ou depois. A instrumentação, a voz angustiada e rugosa, os coros em crescendo, enfim, de arrepiar. Como todo o álbum, aliás. Uma pérola magnífica de tristeza e sublime beleza estética.
A Debandada
Em portaria a publicar na semana que vem, e aceitando como válidas as notícias que têm vindo a público, o ministro das finanças prepara-se para restringir o acesso à mobilidade especial voluntária para os funcionários públicos mais qualificados ou a exercer em áreas especializadas, a saber: técnicos superiores e outros corpos especiais como médicos, enfermeiros, militares, polícias, etc.
Este recuo só vem dar razão àqueles que, como eu, criticaram um sistema de gestão cego em planeamento, elaborado em cima do joelho, cujo principal objectivo foi cortar, cortar, cortar, sem critério nem previsão.
Elegeu-se um objectivo: reduzir a todo o custo o número de funcionários do Estado sem cuidar de saber se faziam falta ou não. Só para as estatísticas.
A cobaia foi o Ministério da Agricultura. Quanto ao Ministério das Finanças, a guarda avançada do Estado numa época de fundamentalismo fiscal (a feliz expressão pertence a Paulo Portas), o governo disse nada. Disse nada no que toca à mobilidade; disse nada em relação aos vencimentos acima da média relativamente a carreiras com nível correspondente no resto da Administração; disse nada aos injustificáveis acréscimos remuneratórios das senhoras e senhores das Finanças, que continuam a receber uma subvenção a que se chama Fundo de Estabilidade Tributária, indexado ao vencimento mensal, que os premeia por, simplesmente, cumprirem as funções a que são obrigados.
Enfim, contas de outro rosário.
Como se não bastasse o corte sem critério, sem uma rigorosa análise das necessidades reais de provimento de recursos humanos nos diversos serviços, sem saber quem faz ou não falta e onde, a obsessão em reduzir, o Governo vem, no início deste ano, criar a figura da mobilidade voluntária.
Em traços largos, isto quer dizer que um funcionário pode ficar com 75% do seu vencimento (nos primeiros 5 anos, porque esta percentagem vai reduzindo até chegar aos 55% ao fim de 10 anos), e depois de requerer uma licença especial fica livre para exercer actividade privada com toda a legitimidade.
Não é preciso ser sobredotado para prever uma debandada dos funcionários especializados e qualificados; aqueles que, no mercado de trabalho privado, têm hipótese de exercer a sua profissão.
Depois do redondo falhanço da mobilidade especial, uma má prática de gestão que ficará na história pela desastrosa planificação e pela caótica distribuição de pessoal, decide-se criar a mobilidade especial voluntária, ou seja, tenta-se apagar o fogo com gasolina.
Agora, só resta emendar a mão e reconhecer o falhanço de uma política virada para as estatísticas e com total desprezo pela vertente humana.
Este recuo só vem dar razão àqueles que, como eu, criticaram um sistema de gestão cego em planeamento, elaborado em cima do joelho, cujo principal objectivo foi cortar, cortar, cortar, sem critério nem previsão.
Elegeu-se um objectivo: reduzir a todo o custo o número de funcionários do Estado sem cuidar de saber se faziam falta ou não. Só para as estatísticas.
A cobaia foi o Ministério da Agricultura. Quanto ao Ministério das Finanças, a guarda avançada do Estado numa época de fundamentalismo fiscal (a feliz expressão pertence a Paulo Portas), o governo disse nada. Disse nada no que toca à mobilidade; disse nada em relação aos vencimentos acima da média relativamente a carreiras com nível correspondente no resto da Administração; disse nada aos injustificáveis acréscimos remuneratórios das senhoras e senhores das Finanças, que continuam a receber uma subvenção a que se chama Fundo de Estabilidade Tributária, indexado ao vencimento mensal, que os premeia por, simplesmente, cumprirem as funções a que são obrigados.
Enfim, contas de outro rosário.
Como se não bastasse o corte sem critério, sem uma rigorosa análise das necessidades reais de provimento de recursos humanos nos diversos serviços, sem saber quem faz ou não falta e onde, a obsessão em reduzir, o Governo vem, no início deste ano, criar a figura da mobilidade voluntária.
Em traços largos, isto quer dizer que um funcionário pode ficar com 75% do seu vencimento (nos primeiros 5 anos, porque esta percentagem vai reduzindo até chegar aos 55% ao fim de 10 anos), e depois de requerer uma licença especial fica livre para exercer actividade privada com toda a legitimidade.
Não é preciso ser sobredotado para prever uma debandada dos funcionários especializados e qualificados; aqueles que, no mercado de trabalho privado, têm hipótese de exercer a sua profissão.
Depois do redondo falhanço da mobilidade especial, uma má prática de gestão que ficará na história pela desastrosa planificação e pela caótica distribuição de pessoal, decide-se criar a mobilidade especial voluntária, ou seja, tenta-se apagar o fogo com gasolina.
Agora, só resta emendar a mão e reconhecer o falhanço de uma política virada para as estatísticas e com total desprezo pela vertente humana.
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
Já se esperava
O Sr. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, solteiro, celibatário e sem filhos, é, ainda assim, especialista em assuntos da família.
Essa especialidade advém da doutrina da religião que professa, sendo o direito à opinião conferido pela Constituição.
Diz o Sr. Policarpo que a nova lei do divórcio, já promulgada pelo Presidente da República, vem “minar a solidez da família na sociedade portuguesa”.
Isto porque os conceitos de “litígio” e “culpa” – este último sempre tão caro ao Sr. Policarpo e seus correligionários – facilitam o divórcio.
Pois, sendo assim, mais vale uma família unida por fora e podre por dentro, um casamento de fachada num lar onde já nada existe para além da agressão e da violência.
Mais vale, para este cidadão, uma família unida pelos laços da hipocrisia do que o fim da agonia de uma família que já não o é, ou que nunca chegou a ser.
E se a coisa der para o torto e a mulher, geralmente a mulher, conseguir o divórcio antes que o marido a assassine (quantas já, só este ano?), que seja um processo moroso, litigioso, doloroso e, claro está, com muita culpa à mistura.
O Sr. Policarpo acha que isto “mina” a solidez da família. Eu cá acho que o que o Sr. Policarpo diz “mina” a solidez do bom senso e da noção da realidade.
Essa especialidade advém da doutrina da religião que professa, sendo o direito à opinião conferido pela Constituição.
Diz o Sr. Policarpo que a nova lei do divórcio, já promulgada pelo Presidente da República, vem “minar a solidez da família na sociedade portuguesa”.
Isto porque os conceitos de “litígio” e “culpa” – este último sempre tão caro ao Sr. Policarpo e seus correligionários – facilitam o divórcio.
Pois, sendo assim, mais vale uma família unida por fora e podre por dentro, um casamento de fachada num lar onde já nada existe para além da agressão e da violência.
Mais vale, para este cidadão, uma família unida pelos laços da hipocrisia do que o fim da agonia de uma família que já não o é, ou que nunca chegou a ser.
E se a coisa der para o torto e a mulher, geralmente a mulher, conseguir o divórcio antes que o marido a assassine (quantas já, só este ano?), que seja um processo moroso, litigioso, doloroso e, claro está, com muita culpa à mistura.
O Sr. Policarpo acha que isto “mina” a solidez da família. Eu cá acho que o que o Sr. Policarpo diz “mina” a solidez do bom senso e da noção da realidade.
Quinta-feira, Outubro 16, 2008
Sob Escuta - Outubro de 2008
YES, "The Ladder", BMG, 1999 Depois de um longo período (1983-1997) a produzir em série umas coisas a que só com a maior boa vontade se poderá chamar música (poluição sonora é o termo indicado), os Yes voltam a entrar nos eixos em 1999 com "The Ladder", um álbum que, longe de ser brilhante, acaba por marcar um regresso àquela sonoridade tão característica deles. Bastou "trocar" Trevor Rabin por Steve Howe.
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
O Gato está doente e já não é Fedorento
Tentei encontrar uma migalha da genialidade perdida. Nada.
Esforcei-me para, jogando mão de toda a minha boa-vontade, descortinar um, um momento que fosse, que me fizesse recordar aquela simplicidade eficaz, aquela precisão implacável na sátira. Nada.
Ao invés, uma coisa gordurosa, arrastada, mole e sem graça. Repetitiva, previsível, só a marcar calendário.
Bocejo. E a seguir vou pular entre os momentos das séries "Fonseca" e "Meireles".
Será passageira crise de inspiração? Cansaço não é, porque os anúncios de TV não matam ninguém.
O que é que aqueles quatro zombies estavam ali a fazer?
Esforcei-me para, jogando mão de toda a minha boa-vontade, descortinar um, um momento que fosse, que me fizesse recordar aquela simplicidade eficaz, aquela precisão implacável na sátira. Nada.
Ao invés, uma coisa gordurosa, arrastada, mole e sem graça. Repetitiva, previsível, só a marcar calendário.
Bocejo. E a seguir vou pular entre os momentos das séries "Fonseca" e "Meireles".
Será passageira crise de inspiração? Cansaço não é, porque os anúncios de TV não matam ninguém.
O que é que aqueles quatro zombies estavam ali a fazer?
Quarta-feira, Outubro 08, 2008
«Cigano», pode ser qualquer um de nós
Fazendo fé na autenticidade do original a que se refere a cópia reproduzida no jornal “Expresso”, a C. Santos, por intermédio de um, à altura, Director Comercial, divulgou pelos concessionários da Mercedes-Benz um memorando bastante elucidativo no que toca a restrições na venda de veículos da marca alemã a indivíduos de etnia cigana.
A notícia destaca a redução da comissão do vendedor em 50% em caso de venda efectiva, mas há outros pontos que merecem especial atenção, como a atribuição de um valor de retoma abaixo da cotação de mercado, entre outros tópicos que visam desencorajar a venda mas também a compra.
Entretanto, o Director-Geral da C. Santos já desmentiu que o conteúdo do discriminatório memorando seja representativo da cultura organizacional da empresa e aproveitou a oportunidade para apelidar de “besta” o autor do documento.
Ultrapassando aquela que parece, salvo melhor opinião, uma posição claramente discriminatória face a um grupo identificado e reconhecível de potenciais clientes, o que não é pouca coisa e muito menos será coisa legal, o que me inquieta agora, porque não nasci cigano, é a ligeireza com que estes memorandos circulam nas empresas e, não menos inquietante, a sua possível aplicação prática.
Quem me garante que, ao adquirir um automóvel, ou qualquer outro bem ou serviço, a minha ascendência, o meu género, a minha raça, a língua que falo, o meu território de origem, a minha religião (ou o meu ateísmo), as minhas convicções políticas ou ideológicas, a minha instrução, a minha situação económica, a minha condição social ou a minha orientação sexual não sejam, isoladamente ou em conjunto, factores previstos num qualquer memorando interno que eu desconheça previamente ao acto da compra ou à intenção de comprar e que me coloque numa situação de discriminação potencial face a outros clientes?
A sorte é que o Sr. Director-Geral já desmentiu e já chamou as “bestas” pelos nomes, o que me deixa mais tranquilo, até porque, cumulativamente, comprar um Mercedes não está nos meus planos.
Domingo, Outubro 05, 2008
5 de Outubro
Apesar de não morrer de amores por Cavaco Silva, ele é o meu Presidente. Goza da legitimidade que lhe conferiu o voto livre.Não foi escolhido por atributo hereditário nem é um idiota qualquer que chegou ao poder só porque sim.
Foi eleito pela maioria dos portugueses, cidadãos seus semelhantes, e não seus súbditos, porque se sujeitou ao escrutínio entre outros candidatos.
A República trouxe a igualdade, o laicismo (nem sempre muito bem tratado, até pelo próprio Presidente...) e a garantia de que todos somos cidadãos de pleno direito, pelo menos na teoria...
A implantação da República teve ainda o mérito de atirar para as revistas cor-de-rosa aquele ridículo grupo de pessoas a que se chama "a família real", com o inacreditável "pretendente ao trono" à cabeça, o Sr. Duarte.
Apesar de tudo, prefiro o pior dos presidentes ao melhor dos reis.
Quarta-feira, Outubro 01, 2008
Colóquio "A Desertificação do Interior"
Com pena minha, não poderei assistir a este Colóquio organizado pelo João Espinho. Primeiro, porque o tema é de inegável interesse. Segundo, porque perco a oportunidade de rever o Professor António Covas, que está na Universidade do Algarve e eu não sabia.A um ano das eleições autárquicas, haja alguém com iniciativa para por as coisas a mexer, já que os partidos, infelizmente, optam pela letargia.
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Magalhães

Acerca do “Magalhães”, discussões saloias e invejas à parte, o que tenho ouvido mais é algo tão tipicamente português como isto: “onde é que isso se arranja”?
Quer dizer, o pessoal anda atarefado a disputar a naturalidade do indivíduo ou a destilar inveja por não ter avançado com a ideia. Depois, a pergunta-chave é: “como é que posso comprar uma coisa dessas”?
Distribuição de computadores ridiculamente baratos para que todas as crianças tenham acesso a um? Qual quê! O que interessa é denunciar a “propaganda” (aquilo que cientificamente se denomina por “dor de corno”), competir pelas origens do navegador ou discutir a "nacionalidade" da máquina, como se isso fosse possível nos dias que correm (aquilo que a ciência designa por “parvoíce crónica”).
No fim, o que fica é esse tão português hábito de deitar abaixo, criticar só porque sim, e depois tentar “dar a volta”, “meter uma cunha” para levar um aparelhote daqueles para casa, mesmo quando se deixou a escola há mais de vinte anos.
Quer dizer, o pessoal anda atarefado a disputar a naturalidade do indivíduo ou a destilar inveja por não ter avançado com a ideia. Depois, a pergunta-chave é: “como é que posso comprar uma coisa dessas”?
Distribuição de computadores ridiculamente baratos para que todas as crianças tenham acesso a um? Qual quê! O que interessa é denunciar a “propaganda” (aquilo que cientificamente se denomina por “dor de corno”), competir pelas origens do navegador ou discutir a "nacionalidade" da máquina, como se isso fosse possível nos dias que correm (aquilo que a ciência designa por “parvoíce crónica”).
No fim, o que fica é esse tão português hábito de deitar abaixo, criticar só porque sim, e depois tentar “dar a volta”, “meter uma cunha” para levar um aparelhote daqueles para casa, mesmo quando se deixou a escola há mais de vinte anos.
Quarta-feira, Setembro 17, 2008
Sob Escuta - Setembro de 2008

Jimmy Smith - "Confirmation", Blue Note, 1958
Depois deste magnífico disco em que Jimmy Smith "brinca" com o seu Hammond, fica "The Dark Side of the Moon", em homenagem a Rick Wright, que lhe definiu o som e o ambiente. Entre outros, também com um órgão Hammond.
É assim que se faz oposição séria, construtiva e "credível"?

Foi recorrendo a esta estratégia de populismo justiceiro que Manuel Monteiro abriu o caminho a Paulo Portas na década de 90. Lembram-se?
A estratégia, em si, e como qualquer outra deste género, é boa para resultados imediatos: causa impacto e fala ao taxista que há em cada um de nós. Mas, a longo prazo, revela-se desastrosa - basta dar uma espreitadela àqulio em que se transformou o CDS/PP.
O que é certo é que nem no tempo de Santana Lopes se desceu a este nível, e Santana era o populista de serviço.
É verdade que a iniciativa partiu da Distrital de Setúbal, mas isto é oposição regional quando se invoca o Governo em destaque?
O cartaz é ignóbil a vários níveis. Repare-se para onde está apontada a pistola. É PNR vintage.
O que pensará Manuela Ferreira Leite acerca deste outdoor?
IMAGEM VIA ARRASTÃO
Terça-feira, Setembro 16, 2008
Nunca tive dúvidas de que, durante o período mais criativo dos Pink Floyd, Richard Wright foi o “cimento” que deu consistência ao som característico de álbuns como “The Dark Side of the Moon” ou “Wish You Were Here”.
A sua “tapeçaria” de teclados, bem como o seu talento para compor melodias harmoniosas, foi o elemento essencial para canalizar a angústia de Waters e o virtuosismo de Gilmour.
Sem ser particularmente inovador ou aventureiro, Wright era, essencialmente, um excelente músico e compositor.
A reunião dos Floyd, tão esperada por milhões de fãs em todo o mundo, voou com os porcos.
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
Fim-de-Semana
Há fins de semana que quase parecem férias inteiras.
Chegar ao sítio de férias de sempre e sentir que se está a chegar a casa.
Os lugares, os sons, os odores, os sotaques.
Este fim-de-semana despedi-me da praia por este ano.
E mesmo com o tempo cinzento, fi-lo da melhor forma.
Para o ano haverá mais.
Chegar ao sítio de férias de sempre e sentir que se está a chegar a casa.
Os lugares, os sons, os odores, os sotaques.
Este fim-de-semana despedi-me da praia por este ano.
E mesmo com o tempo cinzento, fi-lo da melhor forma.
Para o ano haverá mais.
Segunda-feira, Setembro 01, 2008
Sexta-feira, Agosto 29, 2008
Sapo

Quando ouvi isto nas notícias de ontem tive vontade de rir. Mas não ri, porque o assunto, mais do que risível, é triste.
Esta escultura de Martin Kippenberger está exposta no Museu de Bolzano, Itália.
Ao que parece, esta obra tem causado grande indignação junto do clero lá para aquelas bandas, é ofensiva, uma blasfémia, e tal. Já deu origem a greves de fome e a declarações do Papa.
O Museu, como é óbvio, não vai retirar a escultura, ainda que as pressões da hierarquia católica sejam mais do que muitas.
Pois bem: qualquer semelhança com as célebres caricaturas de Maomé não é pura coincidência. É que as religiões, na sua essência, são tão parecidas...
O que me causa estranheza é o facto de os católicos ficarem chocados e ofendidos com um sapo pregado numa cruz, mas aceitarem e viverem bem com representações do tipo das da imagem abaixo...

Terça-feira, Agosto 26, 2008
quem me dera ter escrito isto...
«Oh meu Zeus, meu Zeus, vejam como estou indignado. Estou indignado, indignadíssimo!, com Marco Fortes, atleta português do lançamento do peso. Ao comentar o seu fraco desempenho nos Jogos Olímpicos, Marco Fortes reconheceu que o seu corpo não responde tão bem de manhã: "De manhã é para estar na caminha - eu queria esticar as pernas mas elas só queriam estar na caminha." Que é isto?! Em toda a minha vida, só ouvi um português dizer que "de manhã não funciono": Sousa Franco. E foi preciso ter sido ministro das Finanças duas vezes, presidente do Tribunal de Contas - um homem sério, portanto -, para poder afrontar esse tabu.
Mas Marco Fortes fez pior: ainda teve o descaramento de sugerir aos outros atletas que valia a pena trabalhar para ir aos Jogos Olímpicos, pela "experiência". O ultraje, o ultraje! Quem se julga este badameco para sugerir que participar num belíssimo evento desportivo, com atletas de todo o mundo, é uma boa experiência? Algum apóstolo do espírito olímpico?
Não sabe ele que o importante é só ganhar, ganhar pela pátria e pelos contribuintes que lhe "deram" uma bolsa, honrar a pátria e os contribuintes, dizer banalidades pela pátria e pelos contribuintes, ter juizinho pela pátria e pelos contribuintes?
Se esteve demasiado distraído enquanto lutava pelos mínimos olímpicos para reparar que neste país toda a gente se levanta cedo, é o melhor das respectivas áreas e vive uma vida de sacrossanto respeito pelo contribuinte, os dias seguintes lho ensinaram, através de um coro escandalizado de comentadores, jornalistas e políticos, que não se pode - não se pode! - fazer humor com coisas sérias e apreciar o desporto e o mundo porque são simplesmente o desporto e o mundo. E se estava demasiado longe para ver toda aquela gente sisuda fazendo tsc-tsc-tsc com os músculos faciais bem espremidos, logo foi recambiado para Lisboa com um bilhete de avião suplementar - que o dinheiro dos contribuintes nunca é demais para dar lições a quem merece.
Pois bem, Marco Fortes, deixa-me tratar-te por tu: espero sinceramente que não consigam vergar-te, moldar-te, ajoelhar-te. Que neste país onde inventaram a lobotomia, não consigam lobotomizar-te: o resultado seria ver-te, como já vi na televisão, pedir desculpa pelas declarações "infelizes". São agora declarações infelizes não culpar o árbitro mas a si mesmo, reagir como se não fosse o fim do mundo e sugerir que estar nos Jogos Olímpicos é, por si só, uma experiência fantástica? Que diz isso sobre nós como país, não desportivamente, mas moralmente?
Como muitos portugueses, dei por mim emocionado com a medalha de ouro de Nélson Évora. Mas deixou-me desconfortável saber que, à mesma hora, não poderias estar ali para festejar com o teu colega. Não pensaram os senhores burocratas que para haver um Nélson Évora houve outros Marco Fortes que participaram nas mesmas provas, e que os Jogos Olímpicos são feitos de muitos não-campeões, e feitos para eles também? Não; tinham de condenar-te a um castigo inútil e sem objectivo que deveria estar reservado para quem faz batota ou recorre ao doping.
Quem te condenou, caro Marco, está já condenado: a uma vida sem humor, a ter de provar que é sério, mais sério do que toda a gente. É uma vida triste e seca. Como atleta, poderias só lhes dar ouvidos quando eles conseguirem chegar aos mínimos olímpicos. Eu sugiro outra opção: só ligar à indignação dos comentadores portugueses, dos jornalistas portugueses, dos portugueses portugueses, quando um dia eles conseguirem não estar sempre indignados por qualquer coisa.»
Via 5 dias, um texto de Rui Tavares.
Mas Marco Fortes fez pior: ainda teve o descaramento de sugerir aos outros atletas que valia a pena trabalhar para ir aos Jogos Olímpicos, pela "experiência". O ultraje, o ultraje! Quem se julga este badameco para sugerir que participar num belíssimo evento desportivo, com atletas de todo o mundo, é uma boa experiência? Algum apóstolo do espírito olímpico?
Não sabe ele que o importante é só ganhar, ganhar pela pátria e pelos contribuintes que lhe "deram" uma bolsa, honrar a pátria e os contribuintes, dizer banalidades pela pátria e pelos contribuintes, ter juizinho pela pátria e pelos contribuintes?
Se esteve demasiado distraído enquanto lutava pelos mínimos olímpicos para reparar que neste país toda a gente se levanta cedo, é o melhor das respectivas áreas e vive uma vida de sacrossanto respeito pelo contribuinte, os dias seguintes lho ensinaram, através de um coro escandalizado de comentadores, jornalistas e políticos, que não se pode - não se pode! - fazer humor com coisas sérias e apreciar o desporto e o mundo porque são simplesmente o desporto e o mundo. E se estava demasiado longe para ver toda aquela gente sisuda fazendo tsc-tsc-tsc com os músculos faciais bem espremidos, logo foi recambiado para Lisboa com um bilhete de avião suplementar - que o dinheiro dos contribuintes nunca é demais para dar lições a quem merece.
Pois bem, Marco Fortes, deixa-me tratar-te por tu: espero sinceramente que não consigam vergar-te, moldar-te, ajoelhar-te. Que neste país onde inventaram a lobotomia, não consigam lobotomizar-te: o resultado seria ver-te, como já vi na televisão, pedir desculpa pelas declarações "infelizes". São agora declarações infelizes não culpar o árbitro mas a si mesmo, reagir como se não fosse o fim do mundo e sugerir que estar nos Jogos Olímpicos é, por si só, uma experiência fantástica? Que diz isso sobre nós como país, não desportivamente, mas moralmente?
Como muitos portugueses, dei por mim emocionado com a medalha de ouro de Nélson Évora. Mas deixou-me desconfortável saber que, à mesma hora, não poderias estar ali para festejar com o teu colega. Não pensaram os senhores burocratas que para haver um Nélson Évora houve outros Marco Fortes que participaram nas mesmas provas, e que os Jogos Olímpicos são feitos de muitos não-campeões, e feitos para eles também? Não; tinham de condenar-te a um castigo inútil e sem objectivo que deveria estar reservado para quem faz batota ou recorre ao doping.
Quem te condenou, caro Marco, está já condenado: a uma vida sem humor, a ter de provar que é sério, mais sério do que toda a gente. É uma vida triste e seca. Como atleta, poderias só lhes dar ouvidos quando eles conseguirem chegar aos mínimos olímpicos. Eu sugiro outra opção: só ligar à indignação dos comentadores portugueses, dos jornalistas portugueses, dos portugueses portugueses, quando um dia eles conseguirem não estar sempre indignados por qualquer coisa.»
Via 5 dias, um texto de Rui Tavares.
Segunda-feira, Agosto 25, 2008
coisas giras sem importância
Ontem, durante a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos, uma cantora pop da moda cantava uma versão muito interessante de "whole lotta love", dos Led Zeppelin.
O jornalista que fazia os comentários, para além de salientar que a versão estava realmente muito boa, decidiu acrescentar que a voz da cantora não se parecia nada com a de Roger Daltrey.
O jornalista que fazia os comentários, para além de salientar que a versão estava realmente muito boa, decidiu acrescentar que a voz da cantora não se parecia nada com a de Roger Daltrey.
Chiado
Há precisamente vinte anos, estava a ver televisão quando a emissão foi repentinamente interrompida devido ao incêndio no Chiado.
A zona mais chique e cosmopolita de Lisboa, descrita com tanta elegância e pormenor nas obras de Eça de Queirós, estava a ser devorada pelas chamas, e eu tinha passado por lá dois ou três dias antes. Era, e continua a ser, visita quase obrigatória.
Depois veio a reconstrução e a Baixa, hoje, está mais “limpa”, mais funcional, mais ordenada e moderna.
Relembro agora a altiva decadência daquela parte de Lisboa antes de 1988, sempre movimentada e caótica, os velhos armazéns e os vendedores de rua.
Como teria sido a sua evolução se não tivesse havido incêndio?
A zona mais chique e cosmopolita de Lisboa, descrita com tanta elegância e pormenor nas obras de Eça de Queirós, estava a ser devorada pelas chamas, e eu tinha passado por lá dois ou três dias antes. Era, e continua a ser, visita quase obrigatória.
Depois veio a reconstrução e a Baixa, hoje, está mais “limpa”, mais funcional, mais ordenada e moderna.
Relembro agora a altiva decadência daquela parte de Lisboa antes de 1988, sempre movimentada e caótica, os velhos armazéns e os vendedores de rua.
Como teria sido a sua evolução se não tivesse havido incêndio?
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